a correnteza é tão forte que quase desisto. tantos valores invertidos. tanta falta de coletivo. a importância das pessoas reduzidas a retratos e cores. não vejo avanço. tô tentando me manter na margem; não posso deixar a água me levar. e é tão difícil. tão… desanimador. se não te servem, descartam. à queima roupa, sem defesas. ninguém quer lembrar. a era é de esquecimento. esquecer mediocridade com mediocridade. vale tudo. ingestão, consumo, promiscuidade. qualquer coisa que distraia; tire o foco. aí a gente se emociona com qualquer fragmento de esperança. e espera que inspire, porque disso é que é preciso…! mas o remorso mal dá as caras. é um abandono insuportável. é sim. ver as pessoas se abandonando, num auto-flagelo de desistência. mas não é decisão de se tomar só. essa desistência que tá inspirando. o abandono tão fácil e tentador. só pra não lembrar. não tentar. não acreditar.
se for abandonar, que seja o ego. a pobreza de espírito. o senso de indivíduo. somos um todo dependentes entre si. não para distração; carentes de compaixão e ajuda mútua. sem pedir nada em troca além de respeito e gratidão. a gente tá carente de altruísmo. tirar o foco de si e olhar pro lado. a gente sente falta de confiança. quem conhecemos não é mais importante que um desconhecido. abandona as preferências. ah. abandono esse rio de palavras que pode não parar mais.